E aí eu fico nessa de escreve, apaga, muda, acrescenta, apaga de novo e desiste. Como se faltasse inspiração, como se eu já não soubesse por onde começar, ou melhor, já não sei mais que assunto abordar. Talvez o jeito como você sorri que me deixava desequilibrada, quem sabe. O jeito como se vestia e o cheiro que você tinha. Quando era você, eu sabia muito bem do que escrever. Falava de como você me fazia bem e do quanto eu sentia sua falta ao longo do dia. Do jeito que você andava e até suas mais irritantes manias. Quando era você, eu sabia muito bem sobre o que falar. Sabia cada ponto e cada vírgula. Falava de como você me irritava em questões da minha falta de atenção em certas coisas e de como você pegava no meu pé para eu parar de roer as unhas. Quando era você, eu sabia muito bem por onde começar, enrolar e terminar. Mas agora não é mais você. Não é mais pra você. Não é mais por você. Agora não é mais sobre os seus cabelos que eu falo, não é sobre o seu cheiro, não é o como você faz eu me sentir, não é mais sobre o jeito que você insiste em se vestir e nem o modo como sorri quando está desconfortável em determinada situação. Não é mais sobre aquelas manias que tanto me irritavam e nem daqueles defeitos um tanto insuportáveis que mal o bem me faziam gostar mais de você. Não é mais sobre as músicas que a gente ouvia, nem das vezes que deixei de dormir para permanecer falando com você, mesmo você não pedindo, mesmo você não sabendo. Porque agora, não é mais o seu nome escondido por trás de cada vírgula, nem o seu nome oculto em cada verso da nossa música favorita. Porque agora, não é mais você. Mas um dia foi.